Home Data de criação : 08/10/24 Última atualização : 09/05/21 20:41 / 37 Artigos publicados
 

Vômito:  escrito em quinta 21 maio 2009 20:41

 

Mastigo amargamente o caráter humano.

Engulo sapos, palavras ditas de ditas pessoas superiores que assim como eu,

seus corpos se esgotam nestes negativos espaços.


A ânsia de vômito vem,

descreve o sentimento que de tão cansado de se expressar, vomita.

 

O cheiro sobe no ar...

pacientemente se procura novos ares,

outros pensamentos, ilusões, reações...

quem sabe dormir.

 

O corpo cansa e reclama o seu descanso,

mas o transporto para longe da cama

em direção a janela.

De lá pulo em pensamentos,

ascendendo um maldito cigarro

e penso:


Que história um homem deseja escrever na vida se não a vida que o fizeram sonhar?

Cansado de espírito vou até o bar...

depois voltar pra casa...

vomitar e dormir...

 

E por favor,

me deixem em paz. 

 

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Luziandro Hertel Magris

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Identidade  (Poemas) escrito em quinta 05 fevereiro 2009 03:22

O choro é invocado interiormente das emoções

     que nos corróem sob a suspeita da estranheza de um

                       mundo que intimida a identidade.

Logo tudo se esquece, ou tudo se lembra.

E o corpo vai sofrendo as suas perdas,

E a alma a inocência vendendo...

                      Como um mendingo pedinte de atenção.

Com o medo ao lado,

Somente vai  restando o prazer no próprio finjimento,

Finjimento esse que se transforma numa prisão de um extremo distrair.

Logo estou mais perto de ser real...

                                                               Chorando.

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Luziandro Hertel Magris

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Vaguear  escrito em terça 03 fevereiro 2009 19:55

Alma sedenta de ideais vagueia dentro de mim,
e este vazio condena lentamente os meus sonhos...
Não os enxergo em mim,

                           nem fora de mim...

                                    nem ao longe no desconhecido.

O meus rosto é uma imagem longe do que sou...
O mundo é um casa longe de onde me sinto abrigado.

Lentamente vou saindo da cama como um fantasma todos os dias,
          beijando sedendo o desejo das respostas que tanto procuro, e que me fojem.

Sedendo, sou a única resposta que tenho,
e me tenho assim, como um caminho solitário...

E vaguear é uma esperança...

    tentando encontrar um outro caminho 

                        fora de mim mesmo.

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Luziandro Hertel Magris

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Lord Byron: Trevas  (Poemas) escrito em sexta 02 janeiro 2009 02:36

http://www.darkness-falls.info/My_Deepest_Darkness_by_MeemzZz.jpg

Trevas

Eu tive um sonho que não era em tudo um sonho
O sol esplêndido extinguira-se, e as estrelas
Vaguejavam escuras pelo espaço eterno,
Sem raios nem roteiro, e a enregelada terra
Girava cega e negrejante no ar sem lua;
Veio e foi-se a manhã - veio e não trouxe o dia;
E os homens esqueceram as paixões, no horror
Dessa desolação; e os corações esfriaram
Numa prece egoísta que implorava luz:
E eles viviam ao redor do fogo; e os tronos,
Os palácios dos reis coroados, as cabanas,
As moradas, enfim, do gênero que fosse,
Em chamas davam luz; cidades consumiam-se
E os homens se juntavam juntos às casas ígneas
Para ainda uma vez olhar o rosto um do outro;
Felizes quanto residiam bem à vista
dos vulcões e de sua tocha montanhosa;
Expectativa apavorada era a do mundo;
queimavam-se as floresta - mas de hora em hora
Tombavam, desfaziam-se - e, estralando, os troncos
Findavam num estrondo - e tudo era negror.
À luz desesperante a fronte dos humanos
Tinha um aspecto não terreno, se espasmódicos
Neles batiam os clarões; alguns, por terra,
Escondiam chorando os olhos,; apoiavam
Outros o queixo às mãos fechadas, e sorriam;
Muitos corriam para cá e para lá,
Alimentando a pira, e a vista levantavam
Com doida inquietação para o trevoso céu
A mortalha de um mundo extinto; e então de novo
Com maldições olhavam a poeira, e uivavam,
Rangendo os dentes; e aves bravas davam gritos
E cheias de terror voejavam junto ao solo,
Batendo asas inúteis; as mais rudes feras
Chegavam mansas e a tremer; rojavam víboras,
E entrelaçavam-se por entre a multidão,
Silvando, mas sem presas - e eram devoradas.
E fartava-se a Guerra que cessara um tempo,
E qualquer refeição comprava-se com sangue;
E cada um sentava-se isolado e torvo,
Empanturrando-se no escuro; o amor findara;
A terra era uma idéia só - e era a de morte
Imediata e inglória; e se cevava o mal
Da fome em todas as entranhas; e morriam
Os homens, insepultos sua carne e ossos;
Os magros pelos magros eram devorados,
Os cães salteavam os seus donos, exceto um,
Que se mantinha fiel a um corpo, e conservava
Em guarda as bestas e aves e os famintos homens,
Até a fome os levar, ou os que caíam mortos
Atraírem seus dentes; ele não comia,
Mas com um gemido comovente e longo, e um grito
Rápido e desolado, e relambendo a mão
Que já não o agradava em paga - ele morreu.
Finou-se a multidão de fome, aos poucos; dois,
Porém, de uma cidade enorme resistiram,
Dois inimigos, que vieram encontrar-se
Junto às brasas agonizantes de um altar
Onde se haviam empilhado coisas santas
Para um uso profano; eles as revolveram
E trêmulos rasparam, com as mão esqueléticas,
As débeis cinzas, e com um débil assoprar
Para viver um nada, ergueram uma chama
Que não passava de um arremedo; então alcançaram
Os olhos quando ela se fez mais viva, e espiaram
O rosto um do outro - ao ver, gritaram e morreram
- Morreram de sua própria e mútua hediondez,
Sem um reconhecer o outro em cuja fronte
Grafara a fome "diabo". O mundo se esvaziara,
O populoso e forte era um informe massa,
Sem estações nem árvore, erva, homem, vida,
Massa informe de morte - um caos de argila dura.
Pararam lagos, rios, oceanos: nada
Mexia em suas profundezas silenciosas;
Sem marujos, no mar as naus apodreciam,
Caindo os mastros aos pedaços; e, ao caírem,
Dormiam nos abismos sem fazer mareta,
Mortas as ondas, e as marés na sepultura,
Que já findara sua lua senhoril.
Os ventos feneceram no ar inerte, e as nuvens
Tiveram fim; a Escuridão não precisava
De seu auxílio - as Trevas eram o Universo.

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Não pense mais nisso:  (Poemas) escrito em sexta 02 janeiro 2009 02:14

   http://www.unaee.org.br/imagens/umalagrimaazul.jpg

  Ela era uma menina brilhante, e ele apenas um cara qualquer, um sonhador. Eles representavam seus papéis na vida, como todo mundo. Mas um dia ela descobriu sua ilha de tesouros e o viu com outros olhos. E alguns dias depois ele se encontrou nos olhos dela. No início nada foi dito e nada foi realizado. Eles apenas falavam suas próprias línguas e entendiam tudo. No princípio foram levados pelo vento, leves, brilhando. Como sementes de dente-de-leão deixaram-se levar, sem saber onde iriam se encontrar, ou se iam mesmo pousar em algum lugar.

     – O que você acha de tudo isto? – ela perguntou, um dia.

     – Eu não sei – respondeu ele – Eu não penso nisso, eu só deixo levar.

     Ela era uma menina esperta, e ele apenas um sonhador qualquer, apaixonado. Eles representavam seus papéis na vida, para todo mundo. Mas um dia ela descobriu outra ilha de tesouros e o viu com outros olhos. E alguns dias depois ele não mais se encontrou nos olhos dela. No final nada foi dito e tudo foi realizado. Eles apenas falavam suas próprias línguas e entendiam nada. No final foram separados pelo vento, bruscos, sangrando. Como sementes de dente-de-leão deixaram-se afastar, sem saber por que nunca se acharam, ou se queriam ir mesmo pousar em algum lugar.

     – O que você acha de tudo isto? – ele perguntou, um dia.

     – Eu não sei – respondeu ela – Não pense mais nisso; só deixe que eu vá.

(Adaptada de versão original em inglês)

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