Ela estava do meu lado...
Falava de seus sonhos...
sonhos que brilhavam em seus olhos...
Sonhos caros.
<->
“Não me vês?, pois te vejo...”
O seu mundo de doçura, beleza e dinheiro... Somente sombra...
precipício deste mundo imundo.
Enquanto ela falava...
o que diria ela se sentisse o que eu sinto?.
O que diria se soubesse do amor?...
O que diria do inferno em mim?...
Amor...mais uma fantasia... aquela estrela que nenhum homem pode alcançar...
Só... só desejo...sede...medo... ... ... ... .
E ela falava bordando sapatos, diamantes... dinheiro... em seu coração.
E eu disse:
Abra um
túmulo.
--- O quê?!. Ela disse.
Livre de qualquer necessidade, eu falei novamente, baixo... bem baixo...
---Que saudade...
---De que?.
De ser apenas uma criança...
Que não fuzilaram a verdadeira necessidade de seus sonhos... simples... “mas tão longe”.
Além do horizonte seria perto...
Traria com fé até mim a montanha em minha frente...
Mas cheguei até aqui sem esperanças...somente com muito ar em meus pulmões.
A noite me levava...
E ela...
Ela tocava com sua voz a minha tristeza...
Uma rosa tão linda...
um ser sem saber o que é a terra que a alimenta.
A terra... a minha!... meu túmulo...
Então deixa o mundo cantar sua canção.
Existe coisas que as palavras jamais poderiam expressar.
Correr...
Então continuo correndo...
correndo para nunca ter que desistir...
sabendo que o que esta em minha frente eu não saberei jamais...
e o que
esta atraz... é solitário.
Luziandro Hertel Magris





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